Sob Grossa Fumaça: O tabaco e a colonização do Brasil

Assim como a batata e o milho, o fumo era produto exclusivo da América e chegou à Europa com a Expansão Ultramarina Europeia

Apesar de hoje ser demonizado, o tabaco foi um dos importantes produtos da nossa história

Já há algum tempo é comum chegarmos em alguns lugares e estabelecimentos e encontramos placas ou aviso de “Proibido Fumar”. Esse hábito, hoje, está tão enraizado em nossos hábitos que a fumaça de cigarro na rua já causa estranheza. Fruto de pesada propaganda antitabagista, o número de fumantes no Brasil e no mundo caiu considerável. Hoje, estima-se que pouco mais de 10% da população brasileira tenha o hábito de fumar, dados que giravam em torno de 25% nos anos 1980. Apesar da queda do consumo dos produtos derivados do tabaco, não devemos nunca nos esquecer da importância do fumo na nossa história. Tão grande que os ramos da planta estava presente na bandeira imperial.

Hoje, espalhado pelo mundo, o tabaco (Nicotiana tabacum) e o hábito de fumar era exclusividade dos nativos da América. Enrolados em folhas de milho, outra exclusividade americana, os índios faziam charutos de tabaco e “bebiam” fumaça. Ao desembarcar na América em 12 de outubro de 1492 os marinheiros europeus comandados por Cristóvão Colombo se depararam com o hábito de fumar entre os indígenas. Para enfrentar as longas viagens, os marinheiros fumavam e ajudaram a espalhar o consumo de tabaco pela Europa e pelo mundo. Além de fumado, o tabaco também era consumido por outras duas formas: mascado e aspirado em pó chamado rapé, forma que ganhou as nobrezas europeias, depois do francês Jean Nicot (origem da palavra nicotina) curar as crises de enxaqueca da rainha Catarina de Médicis usando o pó de tabaco.

Tornado produto muito consumido, o fumo foi amplamente plantado nas diversas colônias na América, seja nas colônias britânicas da Virginia e no Caribe, seja nas colônias espanholas como Cuba e também na América Portuguesa. Por aqui, a região do Recôncavo baiano, de Pernambuco e do Rio de Janeiro eram as principais áreas de produção no Brasil Colonial. As pesquisas apontam que o tabaco era produzido com mão de obra livre de pequenos camponeses e seus familiares em pequenas propriedades rurais.

O tabaco foi o terceiro produto mais importante do comércio colonial, representando cerca de 3% do comércio entre Brasil e Portugal, ficando atrás do açúcar e dos produtos da mineração. O produto era tão central que em 1664, a Coroa Portuguesa tornou o fumo um produto estancado, um monopólio controlado pela monarquia. O produto de melhor qualidade era enviado para os portos europeus, principalmente para Portugal. As folhas menos qualificadas eram importantes para o Brasil Colonial, desta vez, alimentaram o tráfico de escravos na costa africana. Embebidos em melaço de cana, o tabaco de cheiro adocicado era um produto muito apreciado pelas elites da África que junto com a jeribita (cachaça) e com os tecidos indianos eram trocados por africanos escravizados que alimentariam o brutal modo de produção escravista colonial e enriqueceram os mercadores de almas e ajudaram na “assim chamada acumulação primitiva de capital.”

Certamente, na próxima vez em que ver alguém fumando, você pensará na importância do tabaco na nossa história e não apenas num hábito exótico e que deve ser extirpado. Tudo é história!  

REFERÊNCIAS

BASTOS, Gabriel Pereira da Silva. As Mesas de Inspeção do Açúcar e do Tabaco da Bahia e de Pernambuco (1751 – 1808). Niterói: UFF, 2018.

NARDI, Jean Baptiste. O Fumo Brasileiro no período colonial. São Paulo: Brasiliense, 1996. 


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