A DEPORTAÇÃO DE EMMA GOLDMAN

21 de Dezembro de 1919

A Revolução Russa de 1917 foi, para além de qualquer dúvida, um dos eventos que moldou a história do século 20. Suas consequências, sejam imediatas ou de longo prazo, puderam, e ainda podem, ser sentidas em vários pontos do globo.

Nas Américas, principalmente nos EUA, uma das principais consequências foi um pânico geral instaurado entre as elites de que o povo poderia se rebelar. Na Terra do Mickey isso pode se sentido no chamado Red Scare, ou seja, o Medo Vermelho. Por causa do Red Scare ocorreram diversas perseguições públicas e julgamentos no mínimo duvidosos de pessoas que tinham a mínima associação com as ideias socialistas, comunistas ou anarquistas.

Uma dessas perseguições foi a deportação em massa para a Rússia conduzida no final de 1919, onde 249 pessoas foram enviadas “judicialmente” para o país eslavo no cargueiro USS Buford, apelidado de “Arca Soviética”. Entre essas 249 estavam a anarquista e feminista russa Emma Goldman e seu companheiro Alexander Berkman.

A deportação de Goldman foi baseada na chamada Lei de Exclusão de Anarquistas, lei que regulou a imigração que acrescentou quatro pontos para deportar cidadãos estrangeiros: anarquistas, epiléticos, “mendigos” e traficantes de prostitutas. O julgamento de Emma Goldman foi em outubro do mesmo ano e ela apenas apresentou como argumento que por se tratar de uma cidadã estadunidense ela não poderia ser enquadrada na lei. Em suas palavras:

Hoje, os assim chamados estrangeiros são deportados. Amanhã, os nativos americanos serão banidos. Alguns patriotas já estão sugerindo que os filhos nativos americanos para os quais a democracia é um ideal sagrado deveriam ser exilados.

Durante a audiência Goldman se recusou a responder qualquer resposta e apenas entregou uma declaração por escrito.

Ela, Berkman e os demais apenados embarcaram no Buford em 21 de dezembro de 1919 no Porto de Embarcações de Nova York, ligado à marinha dos EUA, e partiram rumo à cidade finlandesa de Hanko, e de lá foram escoltados rumo à fronteira russa sob uma bandeira de trégua. Durante a viagem foram acompanhados por 58 soldados e quatro oficiais, todos armados, para garantir a “segurança” da viagem.

E mediada foi amplamente comemorada pela opinião pública estadunidense, conforme mostra essas linhas do jornal de Cleveland Plain Dealer:

Espera-se e espera-se que outros navios, maiores, mais cômodos, transportando cargas semelhantes, sigam em seu rastro.

Na imagem retrato de Emma Goldman datado de 1911 e de autoria de Takuma Kajiwara.

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