Os Nove da Fama | Medievalíssimo Drops

Heróis Exemplares da Cavalaria

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A cavalaria é, sem sombra de dúvidas, uma das instituições típicas do período medieval que nos são mais reconhecíveis, seja através dos estudos medievais seja através das heranças culturais em termos de representação, mesmo que ela como instituição tenha se metamorfoseado, entre outras coisas, na chamada sociedade de cortes. A aristocracia rural do Antigo Regime é herdeira direta dessa nobreza militar medieval, não é à toa que explode a partir do Risorgimento as justas e outros tipos de jogos que tentam se provar viris.

Escultura conhecida como Neun Gute Helden presente na Kölner Rathaus, a prefeitura de Colônia, uma das mais antigas representações dos Nove da Fama, datado de século 13

Os cavaleiros eram parte importante do imaginário, da política e da guerra no Grande Milênio Medieval, são reconhecíveis pelos seus cavalos, por sua armadura – aliás esse item o tempo presente lhe imagina de forma bastante anacrônica – e um senso de justiça único, absoluto e irresoluto. E é desse senso de justiça que os chamados Nove da Fama, chamados em francês de Le Neuf Preux (Os Nove Príncipes em tradução livre), em italiano de I Nove Prodi (Os Nove Corajosos em tradução livre) e em alemão de Neun Gute Helden (Os Nove Bons Guerreiros em tradução livre) trata.

Os Nove da Fama são um grupo de reis e guerreiros – históricos e míticos, bem ao gosto do período, diga-se de passagem – que serviriam de modelo de como ser um bom e honrado cavaleiro, e para tais o imaginário dividiu os nossos heróis em três grupos:

  • Os Três Gentios: Heitor de Tróia, Alexandre o Grande e Júlio César
  • Os Três Hebreus: Josué, o rei Davi e Judas Macabeu
  • Os Três Cristãos: Rei Arthur, Carlos Magno e Godofredo de Bulhão
Todos eles estão representados na apresentação abaixo

Esse grupo de nobres cavaleiros foi escolhido por Jacques de Longuyon no seu Voeux du Paon, datado de 1312, porém, assim como parte do imaginário e da literatura medieval, essa escolha já circulava no Ocidente medieval de forma oral e apócrifa. Como também era comum ao período não tardou em surgir uma tríade de tríades exemplar para as mulheres, ela seriam: Deipile, Sinope, Hipólita, Melanipe, Semíramis, Lampeto, Tômiris, Teuta e Pentesileia. Essa lista foi criado por Eustáquio Deschamps em seu Le Jouvencel, datado de 1466. Salta aos olhos a ausência de figuras bíblicas e da própria Idade Média, afinal as Nove Princesas foram todas tiradas da Antiguidade tanto Oriental quanto Clássica.

Armas dos Nove da Fama, in Thesouro de Nobreza (fl 2r) (1675)

O tema logo se tornou extremamente popular e legou para a posteridade sua presença. Em duas peças de Shakespeare, que alguns medievalistas entendem como o último dos medievais. Em Trabalhos de Amores Conquistados, uma de suas comédias, eles aparecem de forma ligeiramente diferente de Longuyon, e em Henrique IV, parte 2 a personagem Doll Tearsheet diz que Falstaff era dez vezes melhor do que os Nove da Fama depois da famosa cena do duelo. Miguel de Cervantes cita os Nove da Fama no Quixote, no Volume I, capítulo 5, o nosso cavaleiro engenhoso diz para um camponês que seus feitos são maiores do que os cavaleiros da Távola Redonda, dos Dozes Pares de França e do que os Nove da Fama. Outra manifestação em que encontramos os Nove da Fama como tema são os bailes de máscara durante a Renascença.

Os Nove da Fama são um bom exemplo das relações dos homens e mulheres medievais possuíam com o tempo passado, com a literatura e com os personagens bíblicos. Fato e lenda, história e literatura, se misturam e se tornam um único objeto cultural e artístico, e se colocarmos o tom moralista, fabuloso e exemplar temos um exemplo potente do que seja típico produto cultural do Ocidente medieval.

Os Nove da Fama presentes na Schöner Brunnen (Fonte Bonita) em Nuremberg


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