Il Moro | Hoje Na História

27 de Julho de 1452

Como medievalista estou acostumado a tratar do Renascimento, ou Risorgimento, como parte da historiografia moderna tipifica – com mais precisão, na minha modesta e não solicitada opinião – o período, por conta de suas disputas, de suas idiossincrasias, e por ele se apresentar como uma antítese ao medievo. Essas características são tema para outros espaços – quem sabe um episódio do ClioCast ou um episódio do Medievalíssimo.

Porém, e isso é consenso inclusive na comunidade medievalística, não podemos negar o fato de os século 15 foi um período excitante na história, principalmente se nos atentarmos ao recorte da cultura e das artes. E uma das personagens mais fascinantes desse período nascia nessa data há 568 anos em Vigevano, no que hoje é a Lombardia.

E quem seria essa personagem? Ludovico Sforza, duque de Milão, e um dos mecenas de Leonardo da Vinci, para quem encomendou entre outras obras o afresco A Última Ceia e a ilustre escultura equestre em homenagem a Francesco Sforza, pai de Ludovico, obra que Leonardo apenas planejou e nunca executou, principalmente por conta da destruição do modelo de argila pelos invasores franceses em 1499 no começo da Segunda Guerra da Itália. Outro artista célebre patrocinado por Ludovico foi Donato Bramante, que resultou, entre outras obras, na igreja Santa Maria presso San Satiro em Milão.

Ludovico ficou conhecido como Il Moro (O Mouro, em tradução livre do italiano) por conta da cor de sua pele e dos seus cabelos, e reinou Milão entre outubro de 1494 e setembro de 1499. Os Sforza voltariam a reinar Milão em 1512 quando Massimiliano, filho de Ludovico, se tornou duque após depor Luís XII, rei de França, durante a Guerra da Liga de Cambrai.

Il Moro também foi citado por Maquiavel no “Príncipe”, onde o acusa de ter “convidado” Carlos VIII a invadir e controlar o norte da Itália. Essa visão se tornou predominante em relação à memória de Ludovico, e por séculos historiadores ratificaram essa narrativa, o que recentemente mudou por uma nova interpretação dos feitos e do seu reinado sob Milão, além da sua atuação e influência no Risorgimento.

Ludovico Sforza morreria em 27 de maio de 1508 no Château de Loches, no Vale do Loire, como prisioneiro de Luís XII.

Na imagem miniatura de Ludovico Sforza data do final do século 15, assinada por Giovanni Ambrogio de Predis e retirada da Grammatica Latina, de Elio Donato. O original se encontra na biblioteca do Castelo de Trivulzio.


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