Análise Gráfica do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS SP) | Opinião

O Museu

O museu da imagem e do Som de São Paulo (MIS SP) é um museu em que seu acervo é composto por produções de audiovisual abrigando diversos documentos sonoros e imagéticos. Inaugurado em 29 de março de 1970 o MIS surge para coletar e conservar as novas mídias que estavam sendo produzidas na época como a televisão, rádio e músicas. Nos 5 primeiros anos de vida passou por diversos prédios até ganhar um prédio próprio, em 27 de fevereiro de 1975, seu atual endereço na avenida Europa, 158 em São Paulo. 

Sua característica de ser um museu com recorte audiovisual permite que suas atuais exposições, de curta duração, sejam as famosas exposições “blockbuster”. Ou seja, com temática da cultura Pop e que atraem bastante público. Por exemplo, a exposição em 2014 do “Castelo Ra Tim Bum”, em 2016 do David Bowie, 2017 do Renato Russo, 2018 dos Quadrinhos, Leonardo Da Vinci, Musicais e a atual exposição do John Lennon. Tendo isso em mente podemos observar que o MIS produz mais material gráfico de suas exposições de curta duração, muita vezes itinerante. 

Características Gráficas Gerais

Uma caracteriza visível na produção gráfica do MIS é a utilização de uma imagem de sua exposição, ou acervo, sem escrita por cima, como se fosse uma própria reprodução do que está exposto. O MIS raramente produz Banners, em vez disso se utiliza da prática de criar um logo temático com o nome da exposição e colocá-lo sobre alguma imagem do próprio acervo exposto. Deixando assim a parte explicativa para a face interna de seus Folders ou, em caso de redes sociais, na legenda ou descrição do post. 

Prezam por uma impressão colorida e de boa qualidade Apostam na temática e na paleta de cores usada no espaço expositivo. O papel também costuma ser de boa qualidade e em algumas reproduções produzem em inglês e espanhol. 

Folders 

Aqui analiso folders de 2 exposições de curta duração dos anos de 2017 e 2018. Uma precedeu a outra e ocuparam o mesmo espaço expositivo. São as exposições “Renato Russo” (de 06/09/17 á 28/01/2019) e “Quadrinhos” (de 14/11/2018 á 31/03/2019).

Renato Russo

O Folder fechado tem dimensão de 25cm de altura e 13cm de largura, aberto sua largura vai para 39cm. Possui 3 páginas de texto. A letra tem fonte pequena e está na cor utilizada na exposição que é azul escuro. Texto justificado e muito bem organizado passando uma sensação formal. O papel é poroso, porém de boa qualidade que consegue manter-lo firme. Houve uma parceria com o aplicativo do Spotify de músicas e acompanhava um marca-página temático com um código para baixar o App e concorrer a 1 mês grátis do serviço Premium do App. 

Em uma página possui 3 imagens do cantor Renato Russo em plano americano, duas durante um show e outra com um violão, reforçando o lado artístico de Renato. Entre as imagens está uma representação gráfica da letra de forma de Renato Russo escrevendo “Love rules okay.” e 4 símbolos que Renato usava como assinatura, passando um ar de intimidade. As fotos também estão justificadas, alinhadas e centralizadas passando novamente essa sensação de formalidade. Há outra pagina com 2 imagens. Uma de uma página de caderno com a letra de Renato e outra com um desenho, feito por ele, de dois personagens de uma música famosa dele, Eduardo e Mônica. As imagens estão tortas mas alinhadas ao centro quebrando a formalidade do restos do folder e retomando essa intimidade com o Cantor. A capa tem fundo branco com apenas o logo da exposição e uma menção aos produtores, entre eles a Samsung. O logo é apenas o Nome do Renato russo com as letras alternando seus tamanhos, mas mostrando certa desordem, porém justificada e centralizada. Uma desordem não tão desordenada assim, talvez fazendo uma referência a própria vida do cantor ou de sua produção. Os textos basicamente explicam rapidamente quem é o Cantor e um resumo da exposição. Com depoimento de Zeca Camargo sobre Renato, talvez para chamar mais atenção do público. 

Em resumo, é um convite a um público de adolescentes e adultos, tanto dos que viveram a época quanto os que gostam da produção musical de Renato Russo. Uma exposição para fãs, e para brasileiros, que tenta passar a formalidade jovem que Renato possuía. 

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Quadrinhos

O Folder da exposição de quadrinhos é totalmente diferente do folder anterior. A começar pelo formato e dimensões. O Folder fechado tem 17,5cm de altura e 22cm de largura. Aberto tem 66cm de largura e 35 de altura. A lógica que se repete é que ele é dobrável em mais de uma parte e tem páginas específicas para imagens e para textos. 

A capa apresenta bem a temática de exposição sendo bem colorida e com o logo em forma de balão de HQ. A capa se apresenta bem jovem para um publico mais “Geek”, porém representa quadrinhos mais antigos como o Recruta Zero, Tintin, Bety Boop e o Fantasma. Dessa maneira conseguindo atrair diferentes faixas etárias por meio da nostalgia e de sua temática. 

Ao abrir o Folder temos duas páginas apenas com o mesmo texto, com a diferença que um é em português e outro em inglês que mostra bem a intenção de alcançar não só um público nacional, mas também os estrangeiros. O texto é de autoria do Curador Ivan Freitas e fala sobre a exposição e um pouco da história dos quadrinhos convidando para a visita. O texto é justificado e bem alinhado, porém está em um balão de quadrinho deixando-o torto e assim mais descontraído. 

O Folder possui um diferencial que é um mapa da expografia para o visitante. São 3 plantas arquitetônicas que mostram os 3 pisos da exposição e qual a temática de cada região sendo separada por setores e por cores. Neste mapa também podemos observar divisões entre empresas na área da “América do Norte”, talvez para chamar mais atenção do público por se tratar da Marvel, DC e Disney, já que são as únicas que estão descritas nos mapas. As descrições no mapa estão em português e em Inglês.

Ao abrir o folder por inteiro ele vira um pôster da exposição com vários personagens de quadrinhos, assim virando um brinde para o visitante. Em suma um folder para chamar a atenção dos fãs de quadrinho e também surfar na onda as produções cinematográficas de personagens dos quadrinhos como filmes da Marvel. Focando não só no visitante brasileiro, mas também e estrangeiros, apostando em um material que está escrito em duas línguas

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Redes sociais

Nas redes sociais o MIS valoriza mais o uso da imagem optando por deixar na descrição as informações que precisam ser passadas. No caso colocam a imagem de alguma fotografia do acervo ou se utilizam de fotos famosas para abordarem a temática. Como por exemplo, o festival de cinema que vem ocorrendo onde postam cenas icônicas de filmes sem nenhuma escrita por cima. 

Facebook (/museudaimagemedosom)

No Facebook o MIS trabalha pouco as publicações. Postam apenas as imagens e na descrição passam as informações para o público. Não costumam produzir banners. O Cargo chefe do MIS no Face é a criação e divulgação de eventos. Para todo acontecimento no museu existe um evento no Face e a foto do evento é sempre uma foto ,sem escrita, que está na temática do evento. Utilizam de textos grandes com alguns emojis e o típico método de separação para informação usando caracteres especiais, como por exemplo, o uso dos “>>>>>”. Na plataforma também compartilham noticias sobre o museu e seus eventos. Uma linguagem fácil e menos formal. 

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 Instagram (@mis_sp)

No Instagram o museu utiliza apenas fotos sem inscrições em suas publicações. Todas as informações que são necessárias são passadas na descrição da imagem. Novamente valorizam a imagem e tentam fazer com que ela fale por si só. Utilizam de recursos de postagem e de recorte das fotos que faz sua “Bio” seja uma exposição por si, juntando várias imagens, que foram postadas separadamente, em uma única foto, um recurso único para o instagram. O grande problema é que na timeline de quem segue o museu da imagem não chamam muita atenção por serem pedaços. Por outro lado esse tipo de postagem faz com que o museu apareça várias vezes para o usuário, assim chamando sua atenção.  A descrição está em uma linguagem não muito popular, mas se utiliza de alguns emojis para substituir algumas frases e palavras. Por exemplo, o uso do emoji de câmera fotográfica para substituir a frase “Foto de” ou “Foto tirada por”.

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Twitter (@mis_sp)

No twitter o museu muda sua postura para se adequar a plataforma. Usa uma linguagem bem mais popular e textos curtos com informações mais diretas. Utiliza mais o uso de banner, porém sempre valorizando a fotografia e usando pouco texto. Suas publicações são mais de fotos do que textos e tratam de assuntos mais diretos como exposições que estão ocorrendo. Utilizam muito do recurso de “memes” e de “Gifs” para atrair mais o público jovem que utiliza a plataforma. O uso das hashtag é muito mais freqüente do que nas outras redes sociais, até mesmo para impulsionar as publicações.

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Site (www.mis-sp.org.br)

O site do Mis lembra muito o jeito em que produzem seus folder. Usam bastante as imagens e a tipográfica se mantém a mesma. Utiliza tipos quadrados que lembram uma máquina de escrever, com se fosse um roteiro de uma produção audiovisual. Tudo parece ser bem quadrado e lembra telas de fotografia ou de TV, tudo bem centralizado transmitido uma formalidade.  As páginas com informações de exposições seguem o padrão de primeiro uma imagem que precisa ser auto-explicativa, ou ser um viés de confirmação da exposição, seguida de um texto extenso com formatação de alinhamento á esquerda dando mais dinamicidade ao texto e o deixando menos cansativo.

 O interessante do site é sua palheta de cores que está em Branco, Preto e Amarelo. Como o Amarelo, na maioria das vezes, fazendo a distinção do preto e branco e apontando informações importantes como a data da exposição. O uso das cores passa uma seriedade que vez ou outra é quebrada pelo amarelo lembrando até mesmo equipamentos de filmagem que, em sua maioria, são pretos com informações escritas em branco, ou em cinza claro, e pontos importantes apontados em amarelo, ou alguns casos em vermelho. 

A sensação que o site passa é dessa produção audiovisual desde o roteiro com a tipografia e formatação dos parágrafos até a  própria edição e exibição pelo uso de quadrados e imagens sem texto. Fazendo alusão também pela captação das imagens pelos equipamentos através da palheta de cores.

Conclusão

O MIS tem certo padrão de uso do seu material gráfico. Valorizam o uso da imagem sem texto, porém se adequam ao uso conforme o meio ou plataforma. Utilizando de blocos de texto procuram com que a imagem fale por si mesma e tente passar o recado. 

Nos flyer há um trabalho muito bem executado que passa também a cara do museu, como o uso da formatação do texto e das fotos em páginas exclusivas para elas.

Nas redes sociais eles se modificam para os domos operadores de cada plataforma, na utilização e do texto, linguagem e a formatação das fotos. E nos site há uma junção de todas essas características de uma forma mais artística. 

Em suma o MIS sempre procura mostrar seu recorte como um museu que trabalha com o audiovisual e se utiliza dos meios que tem para fazer referência para esse recorte. Inclusive as utilizações de texto inspiraram a formatação desse trabalho. 


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