Suplício e Execução de Jean Calas | Hoje Na História

10 de Março de 1762

Há 258 anos, no dia 10 de março de 1762, Jean Calas sofria seu súplicio e era executado pelas autoridades eclésiasticas. Jean Calas era um mercador,  chefe de uma família protestante, junto com sua esposa e os filhos, Louis e Marc-Antoine. Na época, o catolicismo era a religião oficial da França, e depois das perseguições empreendidas por Luís XIV aos huguenotes até , o protestantismo era no máximo tolerado, porém jamais aceito. Neste contexto, Louis, o filho mais velho havia se convertido ao catolicismo, o que retirou uma série de empecilhos para sua vida social e profissional. Mas a tragédia daria-se com Marc-Antoine. Na manhã de 14 de outubro de 1761, o caçula da família Calas foi encontrado morto. Na primeira versão dadas às autoridades, Jean afirmava que o filho havia sido morto por um ladrão que invadiu a casa. Porém, inconsistências apareceram e Jean passou a ser o principal suspeito do assassinato, que seria motivado por uma suposta vontade de Marc-Antoine converter-se também ao catolicismo. Então Jean confessou. Confessou que o filho tinha se matado e que ele e a esposa haviam providenciado para que o suicídio parecesse um assassinato, para que o filho tivesse direito aos ritos fúnebres que eram sabidamente negados aos suicidas. A seu favor, estava o testemunho de sua governanta católica, Jeanne Vigneire. Nada adiantou. O tribunal de Toulouse, composto apenas por católicos,  condenou Jean à tortura pública. Esticaram seus braços e pernas até os ossos soltarem-se e foi derramado mais de 17 litros de água em sua garganta. Amarrado em uma cruz na praça principal da cidade, teve cada um de seus membros quebrado duas vezes com uma barra de ferro. Mesmo assim gritava sua inocência. Em 09 de março de 1762, depois deste espetáculo tétrico, o tribunal regional de Toulouse, composto também exclusivamente por católicos,  condenou Jean Calas à morte na roda. A pena foi executada no dia seguinte, com o réu clamando sua inocência em suas palavras finais. Profundamente indignado, o filósofo Voltaire, ao saber do caso, iniciou uma campanha para anular a condenação de Calas. Com diversos testemunhos, conseguiu comprovar que Marc-Antoine se matou por dívidas de jogo e pela impossibilidade de cursar a universidade devido à sua religião. O rei Luís XV recebeu a viúva e o filho de Calas anulou a sentença e pagou uma indenização pela injustiça. Além disto, demitiu o juiz responsável pelo processo. Voltaire dedicou o subtítulo e os dois primeiros capítulos de “Tratado sobre a Tolerância “ de 1763, ao caso.

Na imagem ilustração A morte cruel de Jean Calas, que quebrou a roda em Toulouse, 10 de Março de 1762, presente em um exemplar de um livro popular inglês datado da década de 1760


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