BOCA DO INFERNO

23 de Dezembro de 1636

Gregório de Matos pode não ser uma unanimidade mas, com certeza, não passa despercebido por quem se debruça minimamente sobre a literatura produzida no Brasil desde o século XVII. Era um homem de letras e de leis, e seus versos buscavam alcançar o sublime da divindade, mesmo partindo do sensual ou do erótico. Versos que lembram a todos que haverá um tempo de ajustes com a eternidade diáfana e que existem os chamados da carne. Conta sobre os dissabores que a nobreza lusitana sofria em terras tão distantes e tão incomodamente mestiças para alguém que tinha a pureza, inclusive da raça, como virtude.

Nascido em 23 de dezembro de 1636, na cidade de Salvador, Gregório de Matos de fato existiu. Formou-se em Direito em Coimbra, foi juiz em Alcácer do Sal e retornou viúvo para a terra natal, onde alternava a produção literária com o serviço prestado para a diocese do Brasil. Porém, os versos que lhes são atribuídos, foram reunidos após a sua morte, sendo, muitas vezes, baseados apenas na memória dos que conviveram com o poeta. Sua assinatura no livro de matrículas da universidade é tudo o que concretamente escreveu e chegou até nós.

Interessante atentar que seu legado converteu-se “em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”. Seu nome representa um tempo e um pensar e sua obra é o primeiro exercício de leitura crítica que um autor recebeu nesta terra. Isto não é pouco, uma vez que seu apelido, Boca do Inferno, ilustrava muito bem a personalidade de um homem que não tinha medo de expressar suas opiniões por mais polêmicas que fossem.

Na imagem, vemos o frontispício do livro de poemas de Gregório de Matos de 1775 .

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