Disputa de Paris | Hoje Na História

12 de Junho de 1240

Há 780 anos nascia acontecia o cotejo teológico conhecido como Disputa de Paris, ou o Julgamento do Talmud, onde Nicolau Donin, um judeu convertido ao cristianismo e membro da ordem franciscana, acusava a Talmud, fonte primária das leis rabínicas, e um dos principais textos do judaísmo junto com a Torah, de conter passagens blasfemas contra Jesus, Maria e o próprio cristianismo. Pelos judeus cotejaram os rabinos Yechiel de Paris, Moses de Coucy, Judah de Melun e Samuel ben Solomon de Château-Thierry, nomes proeminentes entre os rabinos da França do período.

Donin apresentou ao todo 35 acusações de blasfêmias contra o Talmud como um todo para o papa Gregório IX, se usando de uma série de afirmações antissemitas e persecutórias contra o judeus, favorecendo ainda mais uma visão de que os judeus seriam pessoas de nenhuma confiança, mesquinhas e que traíram Jesus.

A disputa ocorreu na corte de Luís IX, futuro São Luís, e com o passar da disputa, mesmo com os argumentos racionais e bem colocados dos rabinos, Donin acabou conseguindo se tornar vitorioso, o que acabou por mudar o paradigma de como os medievais enxergavam os judeus.

Se antes os judeus poderiam ser convertidos através do abandono da fé no Talmud e a valorização da crença no Antigo Testamento, é sempre bom ressaltar que a Torah é formada pelos cinco primeiros cinco livros do Antigo Testamento, conhecido como Pentateuco ou os Cinco Livros de Moisés. Essa aproximação da fé no Antigo Testamento, eventualmente, iria fazer com que judeus aceitassem cristo e o cristianismo eventualmente.

Porém com a disputa e as supostas alegações, que não passavam de puro antissemitismo, intolerância e fanatismo religioso, essa percepção muda e com isso os medievais passam a entender os judeus com intérpretes divergentes e irreconciliáveis do Antigo Testamento, sempre sob a luz do cristianismo. Depois da disputa cerca de 10.000 textos rabínicos produzidos na França foram queimados e Luís IX decretou que apenas clérigos habilidosos deveriam discutir com os judeus e que os leigos deveriam mergulhar uma espada no coração daqueles que falavam mal de Cristo.

Na imagem página do Machzor de Worms, livro de orações iluminado, datado do século 13


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