Sobre a autora
Alana S. Portero é uma historiadora medievalista madrilenha de 48 anos. Além de sua graduação e especialização em História Medieval é escritora,dramaturga, poetisa e ativista pela causa LGBTQIAPN+. A sua obra de destaque bem como sua atuação obteve distinções como o Calamo Awards (2023) e o Prêmio Dulce Chacón de Narrativa Española (2025, 2024). “Mau hábito” foi eleito um dos 10 melhores livros da Espanha, em 2023, pelo jornal El País.O romance foi traduzido a 17 idiomas como inglês, francês, alemão, coreano, grego e português.


Sobre o livro
A obra foi lida em formato e-book, tem 201 páginas, 2.3 MB e foi publicada em janeiro de 2024. A editora é a Amarcord (selo do Grupo Editorial Record).
Resenha
As histórias contadas em primeira pessoa sempre capturam. Pelo menos eu tenho essa sensação. Alana em uma de suas entrevistas falou que a narrativa do livro parecia a uma jornada do herói, pois traz uma trajetória com desafios, reveses e alguma redenção. Trouxe um outro trecho de entrevista que ela define o romance como “una historia fronteriza, obrera, identitaria y mágica sobre cómo llegamos a ser quienes somos y cómo se habita una vida entre dos mundos” (El independiente, 2023). Acredito que é uma excelente forma de sintetizar a saga de Ana. Não é uma autobiografia, mas as memórias de Alana e de Ana se entrecruzam, dado que a autora é uma mulher trans da classe trabalhadora de Madri e afirmou em algumas falas suas que as mulheres que transitaram em sua vida gerou também esta homenagem que nos conduz, por toda obra, a elas.

Eu deveria ter lido esta obra em espanhol, talvez minha experiência fosse mais engrandecida, pois suspeito que alguns momentos mais truncados, em que tive de reler trechos, pode ter sido por conta disso. Não sei. Em geral, não há com o que se preocupar em relação à narrativa, pois você poderá passear por Madri em um ponto de vista excelente, andar por bairros que tinham uma vida diária e noturna totalmente distintos do que vem depois dos anos 90. Ah! você, também, se aproximará de cantoras(es) muito típicas das décadas de 1980 e 90, tanto no contexto nacional como internacional. E tudo com uma escrita muito maravilhosa.

Por outro lado, há uma postura política importante na obra pois trata da classe operária, com personagens que dão conta de nos livrar de estereótipos. Há o patriarcado pulsante, há claramente aversão a corpos dissidentes nesse lugar, mas também há afetos, solidariedade e acomodações, claro.

Nossa protagonista nos conta como é viver fora e viver dentro ao mesmo tempo, quando não se está no corpo ao qual se sentiria inteira. Não há como desembarcar nesta história depois que você começa. É sensível a forma como nos conectamos com as pessoas que interagem na trama e, sobretudo, com ela.
Há comédia, há nostalgia (para quem tem 30+), há drama, há revolta. Convido a cada pessoa a aprender ou se reconhecer nessa trama excelente que a Alana S. Portero nos brinda nesta vida!

Para saber mais
Página de Alana S. Portero: https://www.patreon.com/AlanaPortero
Escritos de Alana no periódico El Salto Diário – https://www.elsaltodiario.com/autor/alana-portero
Entrevista sobre a obra- Jornal El Independiente – https://www.elindependiente.com/tendencias/2023/05/05/alana-s-portero-escritora-trans-entrevista-la-mala-costumbre/
RNE audio – RTVe – https://www.rtve.es/play/audios/wisteria-lane/wisteria-lane-conversamos-alana-s-portero-sobre-mala-costumbre/16238799/