Sobre a autora

Fatema ou Fatima é uma socióloga e cientista política marroquina e muçulmana. Nascida em uma família de classe média, teve formação universitária no Marrocos, França e EUA. Ela foi professora universitária no Marrocos e é autora de 16 publicações; dos anos 70 até os 2000, várias traduções de obras suas foram lançadas e recebeu diversos prêmios. Ela fez pesquisas sociológicas para a UNESCO e a OIT, bem como para as autoridades marroquinas, além de escrever para vários periódicos. Ela é considerada uma autora feminista.
Sobre a obra

Sultanas esquecidas teve tradução para 13 países. A obra em português só saiu em 2024, pela editora Tabla, especializada em trazer autorias árabes e/ou muçulmanas para o Brasil. O livro tem 271 páginas, em papel avena, 14,5 x 22,5 cm. Tem as folhas amarelas, sem imagens, exceto a capa. Contém orelhas, com uma delas trazendo uma breve bio tanto de Fatema quanto de Marília, a tradutora, o que foi bem interessante e respeitoso com a devida importância a profissional de tradução. A estrutura de Sultanas Esquecidas vem com um prefácio, introdução, nove capítulos (divididos em três partes), uma conclusão e referências bibliográficas.
Resenha da Obra
Pensei em várias formas de organizar como explicar esse livro. Mas, não é uma tarefa fácil, porque ele é tão repleto de informações históricas, sociológicas e com análises importantes que, realmente, a melhor forma que poderia iniciar sobre as impressões é incentivando que leia a obra. Ao contrário do que possa parecer, Sultanas esquecidas não é de 2024, nossa autora, aliás, faleceu em 2015 e sua última publicação foi em 2004. A obra é de 1990. Talvez seja a publicação para o português a sua tradução mais recente.

A autora começa trazendo como introdução, algo muito atual para aquele momento da escrita, o cargo de primeira ministra que exercia uma mulher no Paquistão, Benazir Bhutto que, segundo a Wikipedia, “foi uma política paquistanesa, duas vezes primeira-ministra de seu país, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de governo de um país de maioria muçulmana”.
O argumento midiático da época era sobre a modernidade de um país muçulmano ter uma chefa de estado, e será extamente sobre isso que a Fatema vai tratar: sobre o grande equívoco de tal afirmativa.
Ela começa trazendo inúmeras experiências não-árabes, que você poderá acompanhar até mais da metade do livro e, quando você pensa que, então, faria sentido que apenas culturas muçulmanas e não-árabes aceitassem ou normalizassem lideranças políticas ou religiosas de mulheres, ela traz casos de mulheres árabes – como as iemenitas – dominando a cena política e, o mais impressionante, a religiosa, com o domínio de um califado.
Algumas dessas líderes atuaram por décadas, ao contrário do que poderíamos pensar dado o nosso olhar bastante orientalizado (pelo ocidente), e foram queridas e desejadas pelo povo. Mernissi não trará argumentações vazias porque tem toda uma preocupação científica em mostrar as fontes que amparam suas afirmações.
Se eu pudesse organizar um esquema dos eixos que ela traz nesse livro, eu colocaria um âmbito histórico do islã, que vai desde entender as dinastias omíada e abássida entre outras até o século 20; um aspecto religioso islâmico, os sunitas, xiitas, os ramos fatímida e outros; um aspecto temático sobre história das mulheres das camadas privilegiadas no islã, em que ela explica as relações sobre as mulheres do harém, sobretudo; e o tema político, que circula toda as tramas que a autora abordara, claro, já que está mostrando para nós aspectos sobre os poderes político e/ou religioso para provar seu ponto: a iniciativa proposital de apagar mulheres chefas de estado no mundo islâmico.

Para saber mais
Referência
MERNISSI, Fatima. Sultanas esquecidas. Mulheres chefes de estado no Islã. Tradução: Marília Scalzo. Rio de Janeiro: Tabla, 2024.