MNU e o Papel da Organização Política da População Negra

Ato de Fundação do MNU, em Julho de 1978. Foto: Jesus Carlos.

A década de 1970 foi um momento-chave para o movimento negro brasileiro, que mesmo em meio uma conjuntura adversa, marcada por repressão a quaisquer manifestações políticas de esquerda, formou o Movimento Negro Unificado (MNU), que conseguiu, por meio de uma articulação nacional, agregar diversos setores do movimento negro, reunindo suas principais demandas, ao passo que se contrapunha à Ditadura Civil-Militar, que ao mesmo tempo que escancarava as desigualdades raciais no país, reprimia a organização política da comunidade. 

O MNU, que recebeu influências do movimento negro internacional, sobretudo do movimento por direitos dos negros nos EUA e as lutas por libertação em África, nasceu em junho de 1978, a partir de um ato,  pelo fim da discriminação racial, que reuniu milhares de pessoas, em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. O ato foi uma resposta a uma série de casos de racismo ocorridos no período: a tortura e morte do feirante Robson Silveira da Luz, acusado de roubo; a discriminação de quatro jovens negros no Clube de Regatas do Tietê; e o assassinato do operário Nilton Lourenço, morto pela PM, na Lapa. 

O ato significou um marco, pois a partir de então iniciou-se um intenso processo de reorganização do movimento negro, que possibilitou conquistas históricas, como a demarcação de terras quilombolas, a Constituição Cidadã,  e a lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino de história afro-brasileira nas escolas. 

A história dos negros no Brasil nos mostra, que dos quilombos aos bancos universitários, a luta da população negra por dignidade é uma constante. Houveram sim conquistas importantes, mas é necessário reconhecer um elemento central para que elas ocorressem: a organização do movimento negro. O que sugerimos aqui, para que andemos a passos largos nessa luta, é a necessidade de compreendermos e olharmos para esses momentos-chave, de modo a conferir a devida centralidade da organização política, da luta coletiva, nas conquistas que obtivemos até aqui.

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