Cinema Novo: um cinema a serviço das causas de seu tempo

O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Glauber Rocha (1969)

“uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado; somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas, o colonizado é um escravo”

Trecho do Manifesto Estética da Fome, de 1965, do cineasta Glauber Rocha

Não é novidade que o cinema nacional ainda está longe de alcançar os mesmos parâmetros do cinema hollywoodiano no gosto dos brasileiros. Mas nem todos sabem, que houve no Brasil, a partir do final da década de 50, um movimento que teve como uma de suas principais propostas, se contrapor à cultura cinematográfica de Hollywood e mais: preocupado em retratar os problemas sociais do país. Falamos do Cinema Novo, um dos maiores movimentos cinematográficos da história do cinema, que mudou radicalmente a cena do cinema nacional e de grande relevância no campo artístico, político e social.

O Cinema Novo surge quando o Brasil vivia um rigoroso processo de modernização e desenvolvimento econômico. Esse cenário traz novas tendências culturais, que naturalmente influenciaram na produção cinematográfica nacional. Por outro lado, ficavam mais gritantes as contradições  desse processo, expressas na profunda desigualdade social da sociedade brasileira, o que impulsionou intelectuais e artistas a se voltarem para as questões políticas e sociais do país.

Ao produzir um cinema crítico, politicamente engajado, esses cineastas traziam uma proposta ideológica inovadora, que se contrapunha fortemente ao industrialismo cultural, que dominava o cinema nacional com os filmes de comédias com fórmulas importadas, cujos propósitos, segundo eles, eram apenas o lucro e alienação das massas. Já o Cinema Novo, propunha um cinema educador, com um apelo popular, sentido tanto na temática, ao debater temas de interesse nacional, quanto em sua linguagem, baseada em elementos da cultura popular.

Entre as décadas de 60 e 70, as produções tiveram algumas mudanças, devido aos instrumentos de censura do Regime Militar e à apreensão de novas tendências artísticas e culturais,  marcando as diferentes fases do movimento. Dentre algumas produções de destaque estão: Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra; Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. 


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