Liberdade Vigiada (Paulo César Gomes) | Clio Indica

Um Olhar sob as Relações Diplomáticas Franco-Brasileiras Durante os Anos de Chumbo

Presidente francês Charles De Gaulle durante visitar oficial ao brasil em 1964

A Ditadura Civil-Militar que ceifou o Brasil por mais de 30 anos reestruturou todo o Estado brasileiro, principalmente na questão de organização governamental, principalmente no que tange a ocupação de cargos públicos por membros que apoiassem o regime, em uma clara tentativa de instrumentalizar e lotear uma ditadura sangrenta e opressora, lhe dando um verniz de legalidade. Esse aparelhamento estatal por membros apoiadores do regime foi extremamente profunda na administração pública, como comprovam estudos que apontam que na maioria das repartições públicas, de todas as esferas administrativas, possuíam algum agente ligado aos órgãos de repressão.

Em Liberdade Vigiada: As relações entre a ditadura militar brasileira e o governo francês — Do Golpe à Anistia o historiador carioca Paulo César Gomes lança uma luz sobre essa instrumentalização e as relações diplomáticas entre o Brasil e a França, e como o Itamaraty serviu ao mesmo tempo como órgão de vigilância e repressão para os brasileiros exilados, e de estrangeiros potencialmente perigosos para os interesses dos militares, além de servir como órgão de propaganda dos generais, tentando vender um país democrático, em desenvolvimento e se afastando das mazelas sociais que foram a marca da história brasileira ao longo do século 20.

É preciso nos lembrar que a relação militar entre Brasil e França é longa e perene, o franceses estiveram na formação teórica e militar do nosso exército após o Golpe da República, estiveram na missão fundante da USP, além de terem feito diversas expedições científicas e artísticas durante o período colonial e imperial, sendo as mais conhecidas as de Saint-Hilaire e de Debret.

O historiador carioca Paulo César Gomes

Ao lançar luz sobre as relações diplomáticas entre França e Brasil no período da Ditadura Civil-Militar brasileira, Gomes abre um novo campo de investigação para esse período, revitalizando um período que é amplamente estudado e reestudado pela nossa historiografia pelos mais diversos campos e recortes. A heurística de documentos tanto nos arquivos franceses quanto aos brasileiros salta aos olhos, a quantidade de dados é minuciosa, o que eleva ainda mais a qualidade desse estudo.

Gomes, acidentalmente ou não, prefere se utilizar de uma linguagem que se aproxima no romance policial e do thriller de suspense para engajar a leitura, com capítulos curtos, ágeis e pontuais, as palavras não pesam e não enfadonham o leitor, principalmente aquele leitor mais afastado da academia histórica, pública que aparenta ser o alvo desse volume.

Pode-se criticar o pesquisador pelo método escolhido, muito “positivista”, palavra cujo peso crítico vem se diluindo cada vez mais, pois há um claro recorte em se expor mais os fatos do que de fato se debruçar sobre os mesmos, porém, é evidente e se faz notar, toda obra que se lança como pioneira precisa primeiro abrir um caminho, para depois esse caminho ser criticado e revisado.

Liberdade Vigiada é uma obra de impacto, tanto para o público quanto para a historiografia, muito por causa do frescor que ela desperta. Agora que a obra se encontra em nossas mãos é de se estranhar que não havia uma obra de tal volta ainda disponíveis para nossos olhos estudarem um campo tão interessante e importante como as relações diplomáticas entre o Brasil e potências democráticas ocidentais durante seu último período ditatorial.


Ficha Técnica

Nome: Liberdade Vigiada
Autor: Paulo César Gomes
Editora: Record
Páginas: 560

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