
Sobre a autoria
Adriana Lisboa é carioca e vive nos EUA. Ela é escritora, tradutora, romancista, escritora de literatura infantil e poetisa, autora de obras como “Todos os santos” (2019), “Hanói” (2013) e “Azul Corvo” (2010).
Sobre o livro
Ele tem formato padrão, mede 200 x 140mm, possui 196 folhas em papel tipo pólen, que são levemente amareladas. A fonte é agradável para leitura. Tem a capa, orelha um pouco menor do que o tamanho da capa da obra com informações sobre a obra e a autora

Resenha
O livro se trata de uma trama em trânsito. Nesse caso, geográfico, Brasil e Japão, e interior, mais claramente de Celina e Hakuri. Os deslocamentos fazem parte de todo o livro o que dá sempre essa sensação de mudança, incômodo, de ter que se recolocar no mundo.
A então graduanda Fernanda Silva elaborou até uma monografia sobre o tema, em Brasília. Como ela bem resumiu, deixaremos aqui um trechinho:
Celina, brasileira, bordadeira que cria e vende bolsas artesanais, se encontra em Kyoto quase por acaso, passeando por entre as ruas enquanto lê/escreve um diário. Estar do outro lado do mundo quase por acaso se deve ao fato de ter se deslocado até lá acompanhando Haruki, ilustrador brasileiro que está no Japão para buscar influências e inspiração para ilustrar o Saga Nikki: Diário de Saga, de Matsuo Bashô, poeta japonês do período Edo.
Rakushisha, de Adriana Lisboa: uma narrativa em movimento, 2015, p. 03.
A estruturação da narrativa de Adriana não é linear no que toca ao tempo. Por outro lado, ela faz uma escolha habilidosa que funcionou como uma sobreposição de memórias, que mostram a força de demarcá-las, registrá-las em qualquer altura da existência humana. Há o diário de Celina e o do tricentenário Matsuo Bashô ao mesmo tempo que uma terceira pessoa narra essa memória e pensamento mais volátil, que todos nós temos, com a história do ilustrador.
No geral, ela traz esse peso da importância da poética quando enfatiza trechos da própria poesia, Haicai, mas em sua própria escrita há essas marcas por todos os capítulos. Ainda que seja muito complicado que a pessoa leitora consiga se conectar com o estilo tão específico e com a tradução, há haicai por diversas partes da obra.
Por fim, um ranço. Foi bastante difícil digerir uma escritora latina, que tem vivências bastante ocidentais, incluso em sua trajetória de escritos (premiados), tratar do oriente. Ela deixa claro que ganhou uma bolsa de pesquisa para estar no Japão por um tempo, justo para que este livro saísse, imagina-se. A saída para fazer essa viagem Brasil-Japão que aparece na obra, foi a mais possível, ainda bem, senão teria ficado efetivamente bastante mais forçado qualquer tentativa de nos mostrar tantos detalhes. Eles aparecem no texto de forma convincente. Isso é bom.
Para saber mais
Instagram da autora: @rakushisha
Site da autora: http://www.adrianalisboa.com/