Afinal, Por Que Temos que Continuar a Ler os Clássicos?

Uma pequena defesa da leitura dos grandes clássicos da humanidade

Por conta de um freelance de redação, que peguei há algumas semanas, tive que ler um artigo científico sobre liderança e poder, e nesse texto havia uma aproximação entre esses dois conceitos, porém de uma forma positiva, tirando todo o caráter moral do poder exercido, muito presente no senso comum e no meio corporativo, onde é visto como o demônio encarnado.

Maria Cristina Sanches Amorim e Regina Helena Martins Perez, autoras do artigo, se lastreiam, em termos argumentativos e retóricos, em textos consolidados e clássicos, como O Princípe, de Nicolau Maquiavel, e Vigiar e Punir, de Michael Foucault. O que me levou a relembrar Harold Bloom e seu O Cânone Ocidental, onde o célebre crítico literário e professor estabelece uma espécie de códex a ser seguido por aqueles que queriam se considerar cultivados.

Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas contra Bloom, há uma urgência em nós para criarmos um rol de conhecimentos a serem obtidos para estarmos inseridos em um contexto cultural determinado e posto. Isso se dá até como uma forma de aceitação nossa dentro da sociedade na qual vivemos, ao nos lançarmos ao códex, ao cânone literário, de certa forma estamos fazendo um ponte presente-passado-presente gerando um lastro cultural para queles que comungam essa realidade temporal.

Ai, no ponto focal do lastreamento com a nossa herança cultural pretérita, que entra a minha defesa a favor dos clássicos, sejam eles literários, filosóficos ou científicos. Nos clássicos podemos encontrar o barro primordial de nossos pensamentos, ou do nosso sistema de pensamento. É através da leitura de tais textos que nosso entendimento do mundo, e de si, vai se moldando e se caracterizando.

Claro, o tempo pode lavar algum desse barro para longe, porém a estrutura, as referências, as reverberações ainda estão presentes. É preciso ter em mente, ainda, que esse rol de textos clássicos não é fixo, é cambiável de acordo com o tempo. Livros são descobertos e esquecidos, exortados e exonerados, a todo o tempo, o exemplo mais próximo de nós, brasileiros, é o caso de Monteiro Lobato, que por conta de um anacronismo crônico, não tem mais sido recomendado para crianças, com a prerrogativa, acertada, de ser racista em diversos aspectos.

Nos clássicos também podemos encontrar o lado negro do ocidentalismo. Está tudo lá, claro e cristalino, tudo lá, dessa forma para melhor criticarmos o status quo presente nada melhor do que ele mesmo nos prover a munição necessária para tal objetivo.

Para o bem e para mau, os clássicos, ainda pretendo escrever algum texto explicando melhor o conceito de clássico, se mantêm atuais e relevantes, ainda que seja simplesmente para esquecê-los.


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